Portugal nos tempos áureos
Se tivesse a oportunidade de escrever uma carta aos meus compatriotas apoiantes do fascismo e das suas infinitas variantes, começaria desta forma:
Caros habitantes do mesmo país que a minha pessoa,
Aqueles de vocês que viveram na época de Salazar saberão, sem dúvida contar melhor a história que eu, que nasci nos anos 90. Porém, quando somos crianças falam-nos do que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974. Aprendemos dos nossos professores o significado da palavra liberdade e o preço que esta custou. Ganhamos consciência de que nem sempre as pessoas se puderam encontrar na rua e dialogar sobre determinados assuntos ou expressar opiniões. O Estado Novo pode ter tido a sua parte positiva, afinal há sempre um lado melhor em todas as situações. No entanto, a maioria as medidas tomadas fomentavam o medo, a repressão e difundiam a ideia de nos contentarmos com sermos um país medíocre e orgulhosamente só.
Séculos antes deste regime, as naus partiram em busca de um novo mundo. Encontraram-no, saquearam-no e roubaram daquelas terras os seus habitantes para os poderem escravizar. Portugal fundou um império. Enriqueceu. À custa do suor e do sangue dos escravos. O passado não se pode apagar, mas podemos aprender com ele e ter consciência que há situações que não se devem repetir.
Vocês, que demonstram um saudosismo a roçar o ridículo de alguma destas épocas, antes de publicarem matérias a exaltar o quão grandiosos ou obedientes fomos enquanto povo, pensem:
Gostariam de ter vivido numa dessas épocas?
Que direitos teriam?
Qual seria a vossa esperança média de vida?
Teriam o conforto que têm hoje em dia?
Recorram a livros de História e Enciclopédias, se for necessário, mas façam o favor de reflectir antes de soltarem disparates sem nexo.
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